Qual o papel da família no autismo?
O que fazer quando o filho parece viver em um mundo inacessível? Diante do diagnóstico de autismo, a dúvida expressa a angústia de famílias que enfrentam uma realidade sem respostas prontas.
Segundo a psicóloga e psicanalista Regina Cheli Prati, a confirmação do laudo gera forte impacto inicial, desencadeando uma corrida imediata por especialistas e terapias.
"É compreensível buscar tratamentos, mas isso não deve anular o que os pais observam no dia a dia. São eles que percebem primeiro o que tranquiliza o filho, o que desperta seu interesse e como ele lida com o que é difícil", destaca.
Para além dos padrões de desenvolvimento
Regina alerta que, na ânsia de enquadrar a criança em padrões esperados, corre-se o risco de ignorar o valor de certos comportamentos. Movimentos repetitivos, apego a objetos ou interesses específicos cumprem funções essenciais e, antes de tentar eliminá-los, é preciso compreender o lugar que ocupam.
"Cada criança encontra maneiras próprias de lidar com o corpo, com os outros e com o mundo. Quando os pais reconhecem essas pistas, tornam-se parceiros das soluções inventadas pelo próprio filho", afirma a especialista.
A parceria entre família e especialistas
Para a psicanalista, valorizar o saber doméstico não significa abrir mão do suporte clínico, mas integrar a vivência familiar ao tratamento por tomar como fundamental os recursos criados pela própria criança.
“No autismo, não existe uma rota pré-definida para a evolução da criança. Esse caminho precisa ser construído. Em nossa prática, aprendemos que é indispensável escutar os pais. Eles conhecem os filhos de um modo que nenhum profissional alcança apenas com a técnica", conclui Regina Cheli Prati.
Reportagem: Mara Riveiros
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